segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Depois o mecânico tem que se virar...

CHEVROLET CONFIRMA QUE FALHA EM MOTOR ATINGE MAIS DE 49 MIL CARROS

Montadora respondeu a questionamentos do Procon sobre falha em travas de válvulas; GM nega risco e órgãos de defesa do consumidor avaliam caso

por GUILHERME BLANCO MUNIZ
 

Chevrolet Prisma LTZ Automático (Foto: General Motors)












A GM do Brasil respondeu aos questionamentos do Procon sobre os problemas diagnosticados em travas de válvulas de alguns motores e deu mais explicações sobre a dimensão da falha. Conforme relatado por Autoesporte, consumidores de veículos da Chevrolet reclamam que o motor perde potência repentinamente. A montadora confirmou que o problema atinge 49.516 unidades dos modelos Onix, Novo Prisma, Celta, Classic, Agile, Montana, Cobalt e Spin, equipados com motores 1.0, 1.4 e 1.8. Todos os carros foram fabricados no Brasil ou na Argentina a partir de dezembro de 2012. Do total de carros envolvidos, 16.277 unidades foram vendidas no estado de São Paulo. Dessas, somente 3.078 haviam passado por reparo até 23 de outubro.
Ordem de serviço de Alfredo Mainenti revela troca de válvulas mesmo sem sintomas do defeito (Foto: Arquivo Pessoal)Em alguns casos, a montadora entrou em contato com os proprietários para agendar um “atendimento especial” em que o problema seria resolvido. Por isso, o Procon paulista solicitou explicações à montadora para avaliar se deve abrir procedimento de recall. A empresa confirmou que a rede autorizada foi orientada por meio do boletim técnico identificado como IT 030G a verificar a existência de falhas nos veículos listados e realizar a substituição de todas as 16 travas de válvulas quando fosse diagnosticado o problema. As concessionárias foram notificadas sobre o problema pela primeira vez em junho de 2013 e o boletim foi enviado novamente em agosto.
Segundo a montadora, o defeito é causado por uma ou mais válvulas que não receberam o devido tratamento térmico. No entanto, a falha não seria suficiente para motivar a abertura de um procedimento de recall, já que não causa perda de capacidade de geração de torque repentina e a tração do veículo é mantida.
Apesar de não representar risco, pode ser necessário que a montadora divulgue comunicados para alertar os consumidores sobre as falhas. Assim, o número de motores consertados pode aumentar. “Nesse ponto, ela está sendo reativa, mas a empresa não tem que esperar ser questionada. Ela tem que ter a iniciativa de colocar aviso no site, se utilizar de redes sociais, mandar emails. Ela tem que vir a público inquestionavelmente. É uma questão de transparência com o consumidor até para informar que o entendimento dela é respaldado em laudo técnico e que o defeito não causa risco”, afirma Marcio Marcucci, diretos de fiscalização do Procon-SP. Nesse sentido, a montadora garante que tem realizado contato telefônico com os clientes e respondido a questionamentos da imprensa.
As válvulas são as peças que pemitem e impedem a entrada (admissão) e  a saída (escape) de combustível, ar e gases no cilindro. Seu desalinhamento ou desregulagem podem ser fatais para o funcionamento do motor. (Foto: ThinkStock/Autoesporte)
Caso em andamento
O laudo técnico enviado pela montadora será avaliado pelo Procon e outros órgãos de defesa do consumidor. Dentro de alguns dias, integrantes do Ministério da Justiça devem se reunir com representantes da Chevrolet para averiguar a falha e determinar quais procedimentos devem ser adotados. Entre as possibilidades, estão desde campanha de comunicação eficiente dos proprietários de carros que podem apresentar o defeito e até a abertura de procedimento de recall, caso seja constatado que a falha pode causar risco à população.
Como o processo de análise técnica continua em andamento, motoristas que notarem o defeito são orientados a relatar a falha aos órgãos de defesa do consumidor. “Se tiver um proprietário de um desses veículos que tenha passado por situação de risco, com perda de potencia que comprometeu ultrapassagem, por exemplo, isso é um argumento muito forte para gente. Eles devem entrar em contato com o Procon e com outros órgãos de defesa do consumidor para relatar o ocorrido”, explica Marcucci.
Entidade vê risco
Apesar de a Chevrolet afirmar que a perda de potência não gera risco aos consumidores, a coordenadora da associação de consumidores Proteste, Maria Inês Dolci, vê potencial de perigo. “Se você está na estrada, em alta velocidade, e começa a perder potência, você pode causar ou sofrer um acidente. Os carros que estão atrás podem não perceber o que está acontecendo e o motorista pode se assustar”, explica.
Levantamento realizado pela equipe de Autoesporte aponta que mais de 15 mil carros e motos já passaram por recall nos últimos onze anos porque o Procon considerou que “redução de velocidade”, “perda repentina de potência” ou “perda de desempenho” eram consequências que poderiam colocar a saúde e a segurança da população em risco. (Colaborou Alberto Cataldi)    
Escala de gravidade de recalls (Foto: Autoesporte)





domingo, 6 de dezembro de 2015

Embreagem


Entenda como funciona e quais são os principais custos envolvidos na manutenção da embreagem do seu carro

O que é e como funciona?
Um complicador para aqueles que estão começando a dirigir, o sistema de embreagem presente nos carros equipados com câmbio manual existe para fazer a ligação entre o sistema de transmissão (câmbio) e o motor em movimento. Ele é composto por peças como o disco de embreagem, platô (placa de pressão), rolamento, cabo ou sistema hidráulico, e, é claro, o pedal esquerdo da embreagem.
Há um jeito certo de usar o pedal da embreagem?
No dia a dia, o que o você precisa saber é que, para o motor e câmbio trabalharem de forma sincronizada, o motorista precisa acionar a embreagem através do pedal esquerdo. “Cada vez que você pisa no pedal, o conjunto é desconectado até que você selecione a marcha adequada à velocidade do veículo e ao modo de condução do motorista”, explica Francisco Satkunas, engenheiro e conselheiro da SAE Brasil.  Ao soltar o pedal da embreagem, o sistema é conectado novamente, fazendo o carro sair da imobilidade ou rodar com a macha ideal.
Sim. “Após engatar a marcha, o motorista deve soltar o pedal da embreagem de forma suave para o carro começar a andar e não sobrecarregar o sistema ou prejudicar componentes como o disco de embreagem. Ele é feito de um material orgânico de alta resistência, mas que desgasta com o tempo”, explica Satkunas. O ideal, segundo o especialista, é o motorista soltar o pedal aos poucos quando o giro do motor estiver entre 2.000 ou, no máximo, 2.400 giros. “É a faixa ideal de torque para tirar o carro da imobilidade. Uma vez em movimento, é necessário tirar o pé do pedal imediatamente”.
Quanto tempo dura a embreagem?
De acordo com Satkunas, o conjunto da embreagem pode durar, em média, de 100 mil a 150 mil quilômetros.“A embreagem do carro que roda mais na cidade do que na estrada, tem  tendência de ficar mais desgastado, devido à troca constante de marchas, que levam o pedal da embreagem a trabalhar mais. "Carros estradeiros tendem a gastar menos o sistema".
Geralmente, depois dos 100 mil quilômetros, são trocados o disco de embreagem e o platô. “Às vezes, o ideal é aproveitar e também trocar o rolamento, que é uma peça interna desse sistema e que costuam ser vendida à parte. Assim, você não precisa desmontar todo o conjunto novamente, caso o rolamento apresente algum defeito”, aconselha o engenheiro da SAE. Em sistemas de embreagem que usam cabo (não o sistema hidráulico), esse sistema também pode ser trocado com o tempo, que é variável e depende muito do uso do motorista.
Quais são os sinais de que a embreagem está com algum problema?
Como não há uma indicação no painel que avise ao motorista que há algo errado, o primeiro sintoma que pode indicar um desgaste prematuro da embreagem é o comportamento do pedal. “Ao acionar a embreagem, você pode notar que o curso do pedal está mais curto ou mais longo que o usual. Você solta um pouquinho, e o carro começa a andar, ou então precisa soltar muito e ficar com o pé bem em cima para ele se mover”, afirma o engenheiro. O especialista também chama atenção para o enrijecimento do pedal, trepidações, patinações e também ruídos no caixa de câmbio. "Se após trocar as marchas, o motorista escutar um barulho de engrenagens arranhando, é bom pedir para um mecânico dar uma olhada na embreagem".
Já a fumaça é um indicativo extremo de que você pode estar forçando muito o sistema. Quando dizemos que o motorista queimou a embreagem, geralmente significa que o houve um atrito excessivo entre o disco de embreagem e o volante do motor . “Isso acontece, por exemplo, quando você eleva o giro do motor a uns 4.000 rpm antes de tirar o pé da embreagem para fazer o carro andar. É comum isso ocorrer quando o carro está parado numa ladeira”, cita um exemplo.
Quais os motivos que levam ao desgaste prematuro da embreagem?
Disco-de-embreagem-submetido-a-uso-excessivo (Foto: Francisco Satkunas)
De acordo com Satkunas, o sistema de embreagem é considerável consumível e uma hora você terá que trocar um dos componentes. Não tem jeito. Mas existem algumas manias que acabam por abreviar a vida útil do sistema. Uma delas, segundo Satkunas, é a de ficar segurando o carro em ladeiras com a embreagem acionada e com o câmbio em primeira marcha, em vez de deixá-lo parado com o freio de mão “Está aí uma situação em que você pode elevar muito o giro do motor e queimar a embreagem”, afirma o especialista.
Mas há outros vícios, que prejudicam a embreagem a médio prazo. “Outro péssimo hábito, é o de deixar o pé o tempo inteiro sobre o pedal da embreagem, mesmo sem acioná-lo. O peso, mesmo que pequeno, pode reduzir a vida dos componentes”. Sair da imobilidade com o carro engatado na segunda marcha, também não é aconselhável. “A não ser, em situações em que o carro está em uma ladeira e basta tirar o pé do freio para ele começar a andar”,  afirma.
Quanto custa para trocar os componentes da embreagem?
Satkunas afirma que o custo pode variar dependo do componente e do custo da mão-de-obra, pois as autorizadas costumam cobrar um pouco mais caro pelo serviço. No geral, é vendido um kit com o platô e o disco de embreagem, que pode custar de R$ 250 a R$ 1000 ( dependendo do modelo) . Já o rolamento varia de R$ 50 a R$ 80, enquanto o cabo da embreagem pode custar de R$ 20 a R$ 50.

“Em casos de mau uso extremo, é necessário até fazer a retífica da face do volante do motor ou até trocá-lo, um custo que pode variar entre R$ 600 e R$ 1.000", afirma o engenheiro Satkunas. O especialista também lembra que nem sempre os componentes da ambreagem estão contemplados na garantia do veículo.

Como podemos evitar o desgaste precoce da embreagem?


“A primeira dica para aumentar a vida útil do sistema é acionar e soltar o pedal da embreagem com suavidade, evitando trancos que possam danificar tanto o sistema de transmissão quanto o da embreagem”. Outra dica do engenheiro é "nunca, jamais", segurar o carro em uma ladeira com o pé esquerdo pressionando a embreagem: "use sempre o freio de mão". Também evite de sair com o carro na imobilidade com o giro do motor muito elevado e também de tirar o pé do pedal da embreagem bruscamente.

Fonte: Auto Esporte.

Livina 1.8. Sincronismo da corrente de comando.